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 Alexandre Nallim

  A opinião expressa
 
              na fotografia

 

A OPINIÃO EXPRESSA NA FOTOGRAFIA

       

A facilidade que as pessoas normalmente têm para memorizar um determinado fato ou assunto através da imagem fotográfica é indiscutível. Isso nos leva a crer que a imagem pura e simples muitas vezes é suficiente para informar. A proposta que eu faço ao leitor neste ensaio é analisar a importância que a fotografia e a charge exercem como método de informar o público. Dou ênfase ao processo fotográfico porque é minha área de pesquisa e atuação profissional. Sem desmerecer a charge, que em meu limitado conhecimento, percebo que é totalmente opinativa. O chargista cria em cima de um fato atual ou uma expressão. Essa podendo ser exagerada, positiva ou negativa, dependendo apenas da imaginação do profissional. Entretanto essa criação é bastante limitada na fotografia, pois o fotógrafo pode apenas registar o acontecimento. É claro que atualmente pode-se fazer montagem sobre uma imagem fotográfica ( infografia ), todavia isso não é verdadeiro, como veremos mais adiante com a história da fotografia. Inicialmente, o que devemos refletir é se a fotografia , a charge ou até mesmo a infografia manipula ou influencia a opinião de quem as recebe como informação.

            Com o desenvolvimento dos meios de comunicação, percebemos que o espaço para imagem, seja ela qual for: Televisão, foto, charge e outros; tem crescido rapidamente. A modernidade tem levado as pessoas a terem pressa. Um indivíduo normalmente só se interessa por um assunto se receber o máximo de informação no espaço mais curto possível. Comparando apenas veículos de comunicação de mesmo segmento e mercado, observamos que um jornal que tem textos longos e poucas fotos vende menos que outro que utiliza mais fotos para compor as informações. Com isso podemos concluir que a fotografia tem papel fundamental no quesito social. Alguns veículos e profissionais ainda insistem em desvalorizar a importância da foto.

 

A imagem fotográfica simboliza o acesso de amplas camadas da sociedade a uma maior participação política e social.

                A seguir, uma breve história da fotografia para que possamos continuar nossa reflexão:    

A palavra fotografia tem sua origem no grego e significa escrever(graphien) com a Luz (photo). “A arte de produzir imagens de objetos ou pessoas por meio de um aparelho.

A descoberta da fotografia foi registrada oficialmente em 1789, tendo como inventor o francês Jacques Mande-Daguèrre, junto com o químico Josef Niceforo Niepce. Entretanto, só em 1839, Daguèrre e Niepce comunicaram a nova invenção à Academia de Ciências da França.

Com a revolução Industrial, surgiu uma série de invenções e a fotografia, nesse contexto, exerceu papel fundamental; possibilitou a inovação das informações e a difusão do conhecimento, tornando-se instrumento de apoio à pesquisa científica e de forma deliberada de expressão artística. Boris Kossoy, em Fotografia e História, afirma que a partir do surgimento da fotografia o mundo tornou-se, de certa forma, familiar e o homem passou a conhecer o mundo de forma mais ampla e precisa. Segundo ele, antes os fatos eram transmitidos pela tradição escrita, oral e pictórica.

No século XV, com a invenção da prensa de Gutemberg, toda uma tecnologia foi desenvolvida com o intuito de difundir o conhecimento por intermédio de palavras, ilustrações e imagens. Inicialmente as imagens foram reproduzidas pela gravura, no método chamado Xilogravura, onde o gravador deixava a sua habilidade e inspiração sobre a superfície da madeira.

Em 1850, a fotografia começou a ser utilizada como modelo para a xilogravura e a litogravura. As gravuras eram reproduzidas nos jornais e revistas para um público exigente e que consumia cada vez mais informação. Todavia, somente 40 anos depois que a fotografia apareceu impressa sem a intermediação de um entalhador ou de um litógrafo é que permitiu-se ao leitor ver uma imagem “fiel” ao seu original. Essa nova técnica de impressão passou a ser denominada de rotogravura.

A mídia continuou modernizando-se e a fotografia significava sinal de crescimento. Os personagens públicos e os fatos contemporâneos passaram a ser vistos com toda a precisão da imagem fotográfica: Jornais, agências de notícias e fotógrafos autônomos passaram a produzir imagens dos mais diversos acontecimentos de interesse público para as mais diversas publicações. As matérias mais destacadas do princípio deste século foram as que discorriam sobre as guerras, os conflitos coloniais, escândalos e crimes, dando origem a uma imprensa sensacionalista, da qual a fotografia tornou-se o elemento comprobatório.

Na Primeira Guerra Mundial, a técnica de reprodução da imagem fotográfica já estava bem mais aprimorada e os jornais ilustrados tornar-se-iam, então, os grandes produtores e consumidores de informação visual. As fotos publicadas caracterizavam-se por serem “posadas”.

Os anos mais significativos para fotografia deste século foram os que compreenderam o período de 1930 a 1950. Foi uma época de importantes acontecimentos, como a depressão econômica do mundo industrializado e as disputas políticas e ideológicas que mobilizaram as sociedades.

O fotojornalismo teve inicio nos anos 20, na Alemanha, com Erich Salomon; filho de banqueiro falido pela depressão econômica, destacou-se como fotógrafo de sua época ao utilizar equipamentos de pequeno porte que dispensavam o uso do flash, podendo fotografar desapercebido pelas pessoas. Apesar desse dispositivo gerar uma imagem com pouca nitidez, fora de foco e tremida, a fotografia era compensada pela expressividade do momento. Sensível à sua circunstância histórica e guiado por um instinto jornalístico, Salomon valia-se de sua formação erudita para flagrar os líderes mundiais em seus momentos de descontração.

Nos anos 30, Stefan Lorant, diretor da revista Mtinchner Illustriere Presse, passou a dar mais importância a fotos não posadas e foi pioneiro no uso da técnica do ensaio fotográfico com temas do dia-a-dia. 0 trabalho de Lorant repercutiu em todo o mundo; influenciando editores franceses, ingleses, norte-americanos e até brasileiros. Em nosso país, inspirou a revista 0 Cruzeiro, um verdadeiro fenômeno de imprensa no Brasil nas décadas de 50 e 60. Nessa mesma época, na França, surge a revista Vu, editada por LucienVogel, que apostou na reportagem fotográfica com informações mundiais.

Em 1934, com a ascensão dos nazistas, Stefan Lorant fugiu da Alemanha para a Inglaterra, onde passou a trabalhar na publicação da revista Weekly Illustrated. A perseguição aos intelectuais na Alemanha, dentre eles vários fotógrafos, fez com que emigrassem, levando consigo toda a experiência que possuíam aos países que os acolheram. Os Estados Unidos, rendidos pelo sucesso do jornalismo inovador da Europa, absorveram um grande número de profissionais. Destaca-se, entre as várias publicações de peso da época, a revista Life.

Lançada em 1936, a Life dominou o mercado norte-americano por um longo período e teve grande repercussão em todo o mundo. A revista tinha sua força de comunicação nas reportagens fotográficas, cujo projeto inicial era o de clarear a vida; o mundo. Suas pautas referiam-se aos conflitos coloniais que acorreram ao longo de toda a Segunda Guerra Mundial. Após a mesma, um número crescente de publicações ampliou ainda mais a demanda por reportagens fotográficas, que passaram a ser feitas, em grande parte, por fotógrafos reunidos em agências. Tem-se como exemplo a Magnum; fundada em 1947 por Robert Capa, Henri Cartier-Bresson, Chirn (David Seyrnur) e George Rodger, veteranos da Segunda Guerra Mundial em cobertura fotográfica. Para os fotógrafos da Magnum, profissionais independentes; voltados para a resistência política e para a defesa dos valores humanistas, a fotografia não era somente uma maneira de ganhar dinheiro; eles queriam expressar, por meio da imagem, seus próprios sentimentos e suas idéias sobre os problemas de sua época.

Com toda essa referência histórica acredito que o leitor possa avaliar a importância da fotografia no contexto social. Todos os fatos, sejam eles positivos ou não, quando registrados pelas lentes dos fotojornalistas nos levam a uma reflexão. Esta reflexão é individual e consciente. Todavia, quando a imagem denuncia as injustiças sociais, tem força coletiva. Os jornais , revistas e outros veículos que usam a imagem como principal forma de informar o público, sabem que um escândalo que abale os valores de uma sociedade faz com que as vendas cresçam e a credibilidade de tal veículo fique mais consistente na mente das pessoas, já que o público espera que a imprensa seja protetora da sociedade; denuncie as ilegalidades e as imoralidades tanto dos governos quanto da própria sociedade. A questão é: Os fotojornalistas procuram exercer esse papel ? Creio, como repórter-fotográfico, que temos essa obrigação não por sermos jornalistas, mas sim por sermos cidadãos. A responsabilidade é fortalecida por exercermos uma profissão que objetiva informar a população dos fatos, sejam bons ou não.

A nossa opinião é válida, pois exercemos o direito de expressar nossas indignações e satisfações. A crítica de nossa opinião fica por conta de nossos leitores. Temos o conhecimento, a técnica e diversos meios de nos comunicarmos (isso é um fato). A pergunta que devemos fazer é: Estamos contribuindo para o crescimento da sociedade ?

Não dá para separar a profissão de jornalista da obrigação como cidadão. Seria fácil se pudesse. O engenheiro constrói um prédio que desaba por problemas técnicos. Morrem várias famílias e ninguém é responsabilizado. Um paciente falece num hospital por erro médico e ninguém é responsabilizado. Um juiz condena um inocente a trinta anos de prisão, depois aposenta com um gordo salário e se diz insatisfeito; que fez muito pela sociedade para ser tão mal remunerado – inaceitável !

Então caro leitor, o jornalista, seja ele fotógrafo, radialista ou repórter de tv, deve apenas informar os fatos ?

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