A OPINIÃO EXPRESSA NA
FOTOGRAFIA
A facilidade que as pessoas normalmente têm para memorizar um
determinado fato ou assunto através da imagem fotográfica é
indiscutível. Isso nos leva a crer que a imagem pura e simples
muitas vezes é suficiente para informar. A proposta que eu
faço ao leitor neste ensaio é analisar a importância que a
fotografia e a charge exercem como método de informar o
público. Dou ênfase ao processo fotográfico porque é minha
área de pesquisa e atuação profissional. Sem desmerecer a
charge, que em meu limitado conhecimento, percebo que é
totalmente opinativa. O chargista cria em cima de um fato
atual ou uma expressão. Essa podendo ser exagerada, positiva
ou negativa, dependendo apenas da imaginação do profissional.
Entretanto essa criação é bastante limitada na fotografia,
pois o fotógrafo pode apenas registar o acontecimento. É claro
que atualmente pode-se fazer montagem sobre uma imagem
fotográfica ( infografia ), todavia isso não é verdadeiro,
como veremos mais adiante com a história da fotografia.
Inicialmente, o que devemos refletir é se a fotografia , a
charge ou até mesmo a infografia manipula ou influencia a
opinião de quem as recebe como informação.
Com o desenvolvimento dos meios de comunicação,
percebemos que o espaço para imagem, seja ela qual for:
Televisão, foto, charge e outros; tem crescido rapidamente. A
modernidade tem levado as pessoas a terem pressa. Um indivíduo
normalmente só se interessa por um assunto se receber o máximo
de informação no espaço mais curto possível. Comparando apenas
veículos de comunicação de mesmo segmento e mercado,
observamos que um jornal que tem textos longos e poucas fotos
vende menos que outro que utiliza mais fotos para compor as
informações. Com isso podemos concluir que a fotografia tem
papel fundamental no quesito social. Alguns veículos e
profissionais ainda insistem em desvalorizar a importância da
foto.
A imagem fotográfica simboliza o acesso de amplas camadas da
sociedade a uma maior participação política e social.
A
seguir, uma breve história da fotografia para que possamos
continuar nossa reflexão:
A palavra fotografia tem sua origem no grego e significa
escrever(graphien)
com a Luz (photo). “A arte de produzir imagens de objetos ou
pessoas por meio de um aparelho.
A descoberta da fotografia foi registrada oficialmente em
1789, tendo como inventor o francês Jacques Mande-Daguèrre,
junto com o químico Josef Niceforo Niepce. Entretanto, só em
1839, Daguèrre e Niepce comunicaram a nova invenção à Academia
de Ciências da França.
Com a revolução Industrial, surgiu uma série de invenções e a
fotografia, nesse contexto, exerceu papel fundamental;
possibilitou a inovação das informações e a difusão do
conhecimento, tornando-se instrumento de apoio à pesquisa
científica e de forma deliberada de expressão artística. Boris
Kossoy, em Fotografia e História, afirma que a partir
do surgimento da fotografia o mundo tornou-se, de certa forma,
familiar e o homem passou a conhecer o mundo de forma mais
ampla e precisa. Segundo ele, antes os fatos eram transmitidos
pela tradição escrita, oral e pictórica.
No século XV, com a invenção da prensa de Gutemberg, toda uma
tecnologia foi desenvolvida com o intuito de difundir o
conhecimento por intermédio de palavras, ilustrações e
imagens. Inicialmente as imagens foram reproduzidas pela
gravura, no método chamado Xilogravura, onde o gravador
deixava a sua habilidade e inspiração sobre a superfície da
madeira.
Em 1850, a fotografia começou a ser utilizada como modelo para
a xilogravura e a litogravura. As gravuras eram reproduzidas
nos jornais e revistas para um público exigente e que consumia
cada vez mais informação. Todavia, somente 40 anos depois que
a fotografia apareceu impressa sem a intermediação de um
entalhador ou de um litógrafo é que permitiu-se ao leitor ver
uma imagem “fiel” ao seu original. Essa nova técnica de
impressão passou a ser denominada de rotogravura.
A mídia continuou modernizando-se e a fotografia significava
sinal de crescimento. Os personagens públicos e os fatos
contemporâneos passaram a ser vistos com toda a precisão da
imagem fotográfica: Jornais, agências de notícias e fotógrafos
autônomos passaram a produzir imagens dos mais diversos
acontecimentos de interesse público para as mais diversas
publicações. As matérias mais destacadas do princípio deste
século foram as que discorriam sobre as guerras, os conflitos
coloniais, escândalos e crimes, dando origem a uma imprensa
sensacionalista, da qual a fotografia tornou-se o elemento
comprobatório.
Na Primeira Guerra Mundial, a técnica de reprodução da imagem
fotográfica já estava bem mais aprimorada e os jornais
ilustrados tornar-se-iam, então, os grandes produtores e
consumidores de informação visual. As fotos publicadas
caracterizavam-se por serem “posadas”.
Os anos mais significativos para fotografia deste século foram
os que compreenderam o período de 1930 a 1950. Foi uma época
de importantes acontecimentos, como a depressão econômica do
mundo industrializado e as disputas políticas e ideológicas
que mobilizaram as sociedades.
O fotojornalismo teve inicio nos anos 20, na Alemanha, com
Erich Salomon; filho de banqueiro falido pela depressão
econômica, destacou-se como fotógrafo de sua época ao utilizar
equipamentos de pequeno porte que dispensavam o uso do flash,
podendo fotografar desapercebido pelas pessoas. Apesar desse
dispositivo gerar uma imagem com pouca nitidez, fora de foco e
tremida, a fotografia era compensada pela expressividade do
momento. Sensível à sua circunstância histórica e guiado por
um instinto jornalístico, Salomon valia-se de sua formação
erudita para flagrar os líderes mundiais em seus momentos de
descontração.
Nos
anos 30, Stefan Lorant, diretor da revista Mtinchner
Illustriere Presse, passou a dar mais importância a fotos
não posadas e foi pioneiro no uso da técnica do ensaio
fotográfico com temas do dia-a-dia. 0 trabalho de Lorant
repercutiu em todo o mundo; influenciando editores franceses,
ingleses, norte-americanos e até brasileiros. Em nosso país,
inspirou a revista 0 Cruzeiro, um verdadeiro fenômeno
de imprensa no Brasil nas décadas de 50 e 60. Nessa mesma
época, na França, surge a revista Vu, editada por
LucienVogel, que apostou na reportagem fotográfica com
informações mundiais.
Em 1934, com a ascensão dos nazistas, Stefan Lorant fugiu da
Alemanha para a Inglaterra, onde passou a trabalhar na
publicação da revista Weekly Illustrated. A perseguição
aos intelectuais na Alemanha, dentre eles vários fotógrafos,
fez com que emigrassem, levando consigo toda a experiência que
possuíam aos países que os acolheram. Os Estados Unidos,
rendidos pelo sucesso do jornalismo inovador da Europa,
absorveram um grande número de profissionais. Destaca-se,
entre as várias publicações de peso da época, a revista
Life.
Lançada em 1936, a Life dominou o mercado
norte-americano por um longo período e teve grande repercussão
em todo o mundo. A revista tinha sua força de comunicação nas
reportagens fotográficas, cujo projeto inicial era o de
clarear a vida; o mundo. Suas pautas referiam-se aos conflitos
coloniais que acorreram ao longo de toda a Segunda Guerra
Mundial. Após a mesma, um número crescente de publicações
ampliou ainda mais a demanda por reportagens fotográficas, que
passaram a ser feitas, em grande parte, por fotógrafos
reunidos em agências. Tem-se como exemplo a Magnum; fundada
em 1947 por Robert Capa, Henri Cartier-Bresson, Chirn (David
Seyrnur) e George Rodger, veteranos da Segunda Guerra Mundial
em cobertura fotográfica. Para os fotógrafos da Magnum,
profissionais independentes; voltados para a resistência
política e para a defesa dos valores humanistas, a fotografia
não era somente uma maneira de ganhar dinheiro; eles queriam
expressar, por meio da imagem, seus próprios sentimentos e
suas idéias sobre os problemas de sua época.
Com toda essa referência histórica acredito que o leitor possa
avaliar a importância da fotografia no contexto social. Todos
os fatos, sejam eles positivos ou não, quando registrados
pelas lentes dos fotojornalistas nos levam a uma reflexão.
Esta reflexão é individual e consciente. Todavia, quando a
imagem denuncia as injustiças sociais, tem força coletiva. Os
jornais , revistas e outros veículos que usam a imagem como
principal forma de informar o público, sabem que um escândalo
que abale os valores de uma sociedade faz com que as vendas
cresçam e a credibilidade de tal veículo fique mais
consistente na mente das pessoas, já que o público espera que
a imprensa seja protetora da sociedade; denuncie as
ilegalidades e as imoralidades tanto dos governos quanto da
própria sociedade. A questão é: Os fotojornalistas procuram
exercer esse papel ? Creio, como repórter-fotográfico, que
temos essa obrigação não por sermos jornalistas, mas sim por
sermos cidadãos. A responsabilidade é fortalecida por
exercermos uma profissão que objetiva informar a população dos
fatos, sejam bons ou não.
A nossa opinião é válida, pois exercemos o direito de
expressar nossas indignações e satisfações. A crítica de nossa
opinião fica por conta de nossos leitores. Temos o
conhecimento, a técnica e diversos meios de nos comunicarmos
(isso é um fato). A pergunta que devemos fazer é: Estamos
contribuindo para o crescimento da sociedade ?
Não dá para separar a profissão de jornalista da obrigação
como cidadão. Seria fácil se pudesse. O engenheiro constrói um
prédio que desaba por problemas técnicos. Morrem várias
famílias e ninguém é responsabilizado. Um paciente falece num
hospital por erro médico e ninguém é responsabilizado. Um juiz
condena um inocente a trinta anos de prisão, depois aposenta
com um gordo salário e se diz insatisfeito; que fez muito pela
sociedade para ser tão mal remunerado – inaceitável !
Então caro leitor, o jornalista, seja ele fotógrafo,
radialista ou repórter de tv, deve apenas informar os fatos ?
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